sexta-feira, 5 de outubro de 2018

O tempo vai correndo

Estou de 29 semanas e uns dias - as 30 semanas parecem um marco importante, e de repente já falta pouco. Parece que o tempo se escoa por entre os dedos. Dezembro está aí à porta, e há sempre a possibilidade de a Rita escolher nascer ainda antes. Estou a tentar terminar tudo, e no bom caminho. A nova missão é preparar refeições e congelá-las: quero deixar pelo menos 30 dias de comida pronta, para nos primeiros tempos não termos essa preocupação. Valha-nos a grande arca congeladora que temos! Para já, tenho 5 dias prontos.
Continuo a sentir-me bastante bem, mas ansiosa por ter notícias. Ainda falta um bocado para a ecografia do 3.º trimestre - a última das «grandes». Mal posso esperar.
Estamos a fazer a preparação para o parto e a começar muito lentamente a ganhar consciência de que em breve teremos um bebé em casa - ainda parece muito surreal. Acho que ainda vai ser muito surreal até algum tempo depois de ela nascer!

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Notícias

Como se costuma dizer, a ausência de notícias, são boas notícias. E neste caso, aplica-se o ditado.
Já estou no terceiro trimestre, 27 semanas!
E estamos as duas bem. Já comecei a preparação para o parto, as coisas estão basicamente prontas para receber a Rita e não tem havido grandes sobressaltos.
Tirando as dores na pélvis e ciática, que me deixam mesmo entrevada de todo, tem sido uma gravidez «santa», sem problemas de maior. Tudo por causa do repouso - tenho a certeza de que se estivesse a trabalhar não poderia dizer o mesmo. Sinto mesmo que tem feito muita diferença, tenho descansado muito, feito muitas sestas, e permanecido relativamente tranquila.
A Rita já se mexe muito, e adoro sentir essa presença comigo, ir tendo notícias de que está tudo bem com ela. Até já dei o doppler fetal que tinha comprado a uma amiga que está a precisar dele agora - como a sinto diariamente, já não usava o doppler há semanas.
Como perdi 3 kg no início, ainda só ganhei de facto 2 kg e pouco, depois de os recuperar. Acho que vou conseguir chegar ao fim do tempo com um ganho de peso bastante modesto o que é sempre bom, sobretudo porque estava mais pesadinha antes de engravidar. Não noto diferença nenhuma no corpo, apenas a barriga que já está jeitosa! Nem o peito aumentou muito, até ver. O cabelo e a pele nunca foram melhores na vida. Além das dores, que são de facto limitadoras, só mesmo a obstipação e as suas consequências glamorosas é que têm incomodado.
A tiróide tem andado controlada, nada de diabetes gestacional nem de hipertensão (antes pelo contrário, a tensão está bem baixinha o que às vezes também é chato), nada de contrações (acho eu). Em fim, pacífico. Na verdade, mesmo que tivesse uma gravidez horrível acho que não me conseguiria queixar, depois de tudo o que passei para chegar até aqui. Depois dos 6 anos de espera, exames e tratamentos, é tudo canja. Sinto-me verdadeiramente abençoada, e só quero que continue a correr tudo bem até ao fim e ter (no tempo dela) a minha filha saudável nos braços.

terça-feira, 31 de julho de 2018

20

Vinte semanas.
Metade do caminho andado. Parece impossível.
Há 20 semanas, 4 meses e meio, mais ou menos, estávamos em março, em pleno processo de FIV. Olhar para a minha agenda nessa altura é ver reuniões de trabalho pelo meio de consultas no hospital. A fase das injeções e da monitorização do desenvolvimento dos oócitos. Parece há uma vida inteira, e ao mesmo tempo, parece que foi ontem.
Depois, veio a fase pior. Na semana 2, há 18 semanas. A recolha de ovócitos, a morte da minha tia, as más notícias sobre os embriões, as dores. E a transferência apressada e sem esperança de dois embriões, dos únicos 3 sobreviventes - um B e um C. Lágrimas silenciosas enquanto me sentia um receptáculo de coisa nenhuma, sabendo que provavelmente estes dois embriões também não resistiriam dentro de mim. Não fazia ideia que acabava de ficar grávida, contra todas as hipóteses. Foi no dia 29 de março que comecei a ser duas, e não sabia.
Até ao final de abril permaneci assim, na ignorância. O stress começou já a meio do mês, com as análises que davam resultados inconclusivos e a ansiedade a rebentar a escala. Foi no dia 23 de abril que finalmente vi o saquinho, ainda sem certezas de nada, e que ouvi a palavra «gravidez» pela primeira vez, dirigida a mim. Mas foi no dia 28 de abril, às 6 semanas e 4 dias, que vi pela primeira vez o coração a bater e soube que havia mesmo esperança, que havia vida, que a Rita morava cá dentro. Ainda sem acreditar, ainda sem parecer real, ainda a sentir-me uma fraude... estava grávida.
Dia 2 de maio foi o dia da alta do Hospital de Guimarães e de mais uma ecografia - 7 semanas e 1 dia.
Daí até às 12 - 14 semanas o tempo arrastou-se. Entrei de baixa. Tratei da tiróide. Fomos começando a dizer a alguns familiares - muito a medo. Às 10 semanas o teste genético e as boas notícias: nada de trissomias e uma menina a caminho (a colheita foi dia 24 de maio - o resultado chegou no dia 1 de junho - o nosso primeiro dia da criança)! Às 12 semanas parei a progesterona, deixando assim as últimas evidências de uma gravidez diferente das outras. Dia 12 de junho, finalmente, o marco final desse período de maior descrença e ansiedade - a ecografia do 1.º trimestre a revelar que estava tudo bem.
E das 14 às 20 semanas passaram-se semanas boas e rápidas. As primeiras compras. O início de um tempo de esperança e felicidade. O fim dos enjoos. Começar a preparar tudo para a chegada da Rita. As visitas às creches. Aprender a usar um sling. Lavar roupinhas. Começar, finalmente, a sentir movimentos e a sentir cada vez mais que é real.
E aqui estamos nós. No meio do caminho.
A antecipar novamente uma ecografia, agora a do 2.º trimestre, com alguma (embora menos) ansiedade. A começar a pensar no futuro, no parto, nos primeiros tempos... Parece mentira. Ainda parece mentira. Mas a barriga que começa a crescer, e os movimentos que começam a fazer-se sentir não enganam. Somos duas. Tenho dois corações a bater dentro de mim. Estou mesmo grávida. Depois de tudo, depois de tanto - estamos a meio. E daqui a outras 20 semanas que poderão parecer uma vida ou apenas um sopro, se Deus quiser, finalmente terei a minha bebé nos braços. Rita em nome de Santa Rita de Cássia - padroeira das causas impossíveis.

sábado, 30 de junho de 2018

Cá continuamos :D

Passei por cá só para dizer que estamos bem.
Estou com 15 semanas e 4 dias, e até ao momento tem corrido bem.
O teste genético disse-nos logo que era uma Rita que vinha a caminho, e a ecografia do 1.º trimestre confirmou. Também ambos nos descansaram em relação ao mais importante: nada de trissomias, que com a minha idade é sempre uma preocupação.
A avó anda a tricotar imensos casaquinhos e a desencantar nas arcas de roupa coisas que foram minhas, e até dela. Nós já começámos com as comprinhas, embora ainda nos falte muita coisa, mas também ainda temos muito tempo. Andamos na fase da pesquisa da creche, a visitar creches em série. Ainda me sinto cansada e com pouca energia, mas melhor do que já estive. Tenho passado basicamente bem, tirando as quebras de tensão, que sempre foi baixa, e entre o calor e a gravidez me dificulta um bocado a vida.
Tenho um doppler fetal e ainda hoje ouvimos o coração da Rita. Agora que tenho um intervalo maior entre consultas ajuda a descansar o coração, de vez em quando, ir ouvir. Ainda não sinto movimentos - estou desejosa de os sentir e ter uma informação mais constante sobre como ela está.
A barriga começa a notar-se, embora não esteja muito grande. Ainda não recuperei o peso perdido no 1.º trimestre e os enjoos de vez em quando ainda fazem das suas. Agora deu-me para ficar com a língua branca e o sabor alterado... o meu corpo não anda mesmo a ajudar-me a comer.
Já estou autorizada a dar uns passeiozinhos, e com muita calma, lá vou esticando as pernas de vez em quando.
Em suma, estamos bem. Estou mais tranquila. E embora tudo ainda pareça um sonho, começo pouco a pouco a preparar-me para em dezembro ter mesmo uma criança em casa.
Obrigada a todas pelo apoio.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Esta semana

Esta semana, estamos a chegar às 10 semaninhas (amanhã) - um quarto do caminho.
Vou ter (finalmente) a primeira consulta no Centro de Saúde e espero que não me tratem novamente como no hospital por ser acompanhada no privado...
Vêm cá a casa (a sério!!) fazer-me a colheita de sangue para o teste genético. Os resultados só devem estar prontos no fim da próxima semana, mas teremos logo informações sobre as trissomias e aneuploidias dos cromossomas sexuais e... o sexo.
E no sábado, festejamos o aniversário do marido com a família dele, cá em casa, e vamos dar-lhes a notícia. Está me a custar tornar tudo mais real, ainda por cima sem saber se de facto continua tudo bem (não faço eco desde dia 11), mas tenho tentado pensar que a ausência de notícias é boa notícia, e que o nosso bebé continua a desenvolver-se direitinho.

E, até ver, ando a adorar o alívio que é não estar a trabalhar, embora não goste que toda a gente já saiba porquê.