quinta-feira, 4 de maio de 2017

Da outra caminhada

(fonte: http://radiomaededeus.com/site/wp-content/uploads/2017/03/doiscaminhos.jpg)

Depois da última reflexão que partilhei aqui convosco, e com o peso do aniversário, acabei por ligar para o Hospital e perguntar se era normal ainda não ter sido novamente chamada. Estava convencida que tendo passado tanto tempo devia ter havido algum extravio do postal e que teríamos faltado a alguma coisa e sido retirados da lista.
Disseram-me, para minha surpresa, que a lista de espera no hospital aumentou muito e que por isso é normal ainda não termos sido chamados. E mais, que possivelmente poderemos ser chamados nos próximos tempos.
Quer dizer então que a outra caminhada pode não estar ainda encerrada. Seguimos, então, pelos dois caminhos.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

36

Fiz, por estes dias (já alguns, o tempo passa depressa), 36 anos.

Fez nesse dia exatamente um ano que fiz a transferência de embriões. Foi um aniversário bem diferente deste.
Passou mais um ano, sem notícias do hospital.
Passou mais um ano, e para quem é infértil e passou a barreira biológica dos 35, um ano é uma eternidade.
Passou mais um ano... e não me atrevo a ligar para saber se se perdeu alguma carta ou não nos chamaram mesmo. E não sei se quero que nos chamem. Não sei se quero saber. Não sei se quero voltar a passar por tudo outra vez. E não ser chamada é uma forma de adiar a decisão. De decidir não decidir.
Fechar portas é duro.
E neste ano, o processo já é outro, e também esse é lento e sem respostas. Entramos na fase do silêncio. Terminadas as avaliações, só silêncio e espera.

Estamos à espera.
À espera de uma carta.
À espera de um telefonema.

Há outras coisas, entretanto, na espera. Não há apenas vazio e silêncio. Há trabalho, e vida, e stress, e família, e casa e as coisas do costume. Muitas coisas. Mas não deixa de haver a espera, o vazio, o silêncio, preenchido de muita coisa.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Mais família

Como previsto, este fim de semana foi a vez de contarmos à família do maridão. E as reações foram boas.
A sogra, mais contida, só comentou que «crianças são sempre crianças» e que «nós é que sabemos».
Os cunhados fizeram, de facto, festa.
O cunhado até ficou emocionado de tão feliz. Ficou surpreendido por não termos dito nada durante o processo de avaliação.
A cunhada perguntou detalhes, porque também já ponderou essa hipótese!
O melhor amigo do marido, que também estava lá e também é «família» ficou surpreendido, partilhou uma história positiva de outro casal que adotou, em fim, aceitou bem.

Ficamos com uma rede de apoio mais alargada. Acho que melhor era difícil!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Experiências

Este fim de semana ficámos com os filhos de um casal amigo. São amigos muito chegados, daqueles que são basicamente família - as crianças tratam-nos por tios, e os pais foram passar um fim de semana fora.
Fomos buscá-los à escola na sexta-feira à tarde. Primeiro o rapaz, de 7 anos, depois a menina de 10, e ficaram connosco até domingo à noite.
Foi a minha primeira experiência do género, confesso.
São duas crianças relativamente fáceis, com as suas brigas de irmãos e asneiritas normais - nada de muito complicado, mas mesmo assim, é uma responsabilidade e uma mudança de ritmo que para nós é inédita e que poderá dar um pequeno cheirinho do que será adotar dois irmãos, num futuro incerto. Acabei por sentir que era um pequeno teste.
E então? Fiquei muuuuito cansada - parabéns a quem consegue manter este ritmo todos os dias! Mas correu bastante bem. Acho que eles gostaram. Fartámo-nos de passear (passámos o mínimo de tempo possível em casa, para eles não ficarem colados aos ecrãs e a discutir quem jogava a seguir no tablet), jogámos um jogo de tabuleiro, visitámos um museu, atribuímos-lhes tarefas (as mesmas que têm em casa - fazer a cama, ajudar a tirar a mesa, etc.), mantivemos a disciplina, caçámos pokemons, ajudámos a fazer os TPC... enfim, assumimos a responsabilidade e a brincadeira, durante 2 dias. E não correu mal. Adorei ver o maridão nesse papel - ele tem mesmo imenso jeito. E eu, apesar de não ter tanto jeito como ele, acabei por entrar com mais naturalidade do que esperava nesta função.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

A família


Ainda não tínhamos contado nada sobre este processo de adoção à nossa família. Antes de termos o resultado da avaliação era mais uma incerteza - podíamos estar a contar um projeto que iria ser impedido logo à partida e a criar expectativas para nada.
Depois de chegar o resultado da avaliação, começámos a achar que estava na hora de contar. Aquilo que li sobre adoção era pouco otimista a este respeito. Alertava para o facto de a família alargada muitas vezes não estar preparada para lidar com o tema da adoção e poder não reagir de imediato com entusiasmo. Na verdade, nós também precisámos de anos para nos preparar, e chegar até à decisão de adotar, por isso não é de estranhar que os nossos pais precisem de tempo para se habituar à ideia. E tendo isso em conta, decidimos que não era bom adiar a conversa, para garantir que haveria tempo para essa evolução acontecer.
Este fim de semana contámos aos meus pais. E a reação - apesar de não ter sido de entusiasmo - foi bastante positiva. A minha mãe gostou particularmente da ideia de adotarmos irmãos (é o que queremos). Teve maiores resistências à questão da idade, mas acabou por perceber. Não houve qualquer questão sobre a questão da raça - eu disse que não tinha sido um fator no nosso perfil. As questões que a minha mãe fez foram questões que nós próprios nos fomos colocando ao longo do tempo - sobre o processo, sobre a adoção intenacional, etc.
O meu pai não disse nada... mas já me contento com essa reação.
Resumindo - a primeira etapa (contar aos meus pais) foi um sucesso. 
Agora falta a família do marido.