terça-feira, 31 de julho de 2018

20

Vinte semanas.
Metade do caminho andado. Parece impossível.
Há 20 semanas, 4 meses e meio, mais ou menos, estávamos em março, em pleno processo de FIV. Olhar para a minha agenda nessa altura é ver reuniões de trabalho pelo meio de consultas no hospital. A fase das injeções e da monitorização do desenvolvimento dos oócitos. Parece há uma vida inteira, e ao mesmo tempo, parece que foi ontem.
Depois, veio a fase pior. Na semana 2, há 18 semanas. A recolha de ovócitos, a morte da minha tia, as más notícias sobre os embriões, as dores. E a transferência apressada e sem esperança de dois embriões, dos únicos 3 sobreviventes - um B e um C. Lágrimas silenciosas enquanto me sentia um receptáculo de coisa nenhuma, sabendo que provavelmente estes dois embriões também não resistiriam dentro de mim. Não fazia ideia que acabava de ficar grávida, contra todas as hipóteses. Foi no dia 29 de março que comecei a ser duas, e não sabia.
Até ao final de abril permaneci assim, na ignorância. O stress começou já a meio do mês, com as análises que davam resultados inconclusivos e a ansiedade a rebentar a escala. Foi no dia 23 de abril que finalmente vi o saquinho, ainda sem certezas de nada, e que ouvi a palavra «gravidez» pela primeira vez, dirigida a mim. Mas foi no dia 28 de abril, às 6 semanas e 4 dias, que vi pela primeira vez o coração a bater e soube que havia mesmo esperança, que havia vida, que a Rita morava cá dentro. Ainda sem acreditar, ainda sem parecer real, ainda a sentir-me uma fraude... estava grávida.
Dia 2 de maio foi o dia da alta do Hospital de Guimarães e de mais uma ecografia - 7 semanas e 1 dia.
Daí até às 12 - 14 semanas o tempo arrastou-se. Entrei de baixa. Tratei da tiróide. Fomos começando a dizer a alguns familiares - muito a medo. Às 10 semanas o teste genético e as boas notícias: nada de trissomias e uma menina a caminho (a colheita foi dia 24 de maio - o resultado chegou no dia 1 de junho - o nosso primeiro dia da criança)! Às 12 semanas parei a progesterona, deixando assim as últimas evidências de uma gravidez diferente das outras. Dia 12 de junho, finalmente, o marco final desse período de maior descrença e ansiedade - a ecografia do 1.º trimestre a revelar que estava tudo bem.
E das 14 às 20 semanas passaram-se semanas boas e rápidas. As primeiras compras. O início de um tempo de esperança e felicidade. O fim dos enjoos. Começar a preparar tudo para a chegada da Rita. As visitas às creches. Aprender a usar um sling. Lavar roupinhas. Começar, finalmente, a sentir movimentos e a sentir cada vez mais que é real.
E aqui estamos nós. No meio do caminho.
A antecipar novamente uma ecografia, agora a do 2.º trimestre, com alguma (embora menos) ansiedade. A começar a pensar no futuro, no parto, nos primeiros tempos... Parece mentira. Ainda parece mentira. Mas a barriga que começa a crescer, e os movimentos que começam a fazer-se sentir não enganam. Somos duas. Tenho dois corações a bater dentro de mim. Estou mesmo grávida. Depois de tudo, depois de tanto - estamos a meio. E daqui a outras 20 semanas que poderão parecer uma vida ou apenas um sopro, se Deus quiser, finalmente terei a minha bebé nos braços. Rita em nome de Santa Rita de Cássia - padroeira das causas impossíveis.

3 comentários:

  1. Tão lindo ❤️ que a vida vos sorria e que a Rita seja muito feliz 🙏

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  2. Parecia impossível mas não foi ! E que bom que assim foi, ainda me recordo de mencionares o quao difícil foi o processo de preparação,que tu e o teu marido não iriam repetir os tratamentos e mesmo depois da descrença do tipo de embriões... A Rita está dentro de ti para comprovar que vale acreditar ! Beijinho e que venham mais 20 semanas para poderes receber a tua menina nos braços!

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  3. E vai tudo correr pelo melhor; tem nome de lutadora e eu que o diga, pois tenho cá uma guerreira obstinada e corajosa. Este tempo passa a correr, aproveitem, é um sopro e vai-vos deixar muitas saudades. E quando olharem para ela e se apaixonarem a cada dia mais um bocadinho, vão olhar para trás e pensar que, apesar de tudo, valeu a pena...tudo o que recebemos a seguir ao sofrimento, tem o dom de nos proporcionar a felicidade extrema. Bjs.

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