sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Penúltimo passo

Já realizámos a sessão B - oficialmente, já só nos falta a visita a casa para concluir o processo de avaliação e aguardar o resultado. 
Esta sessão foi feita em grupo com outros casais que estão a passar pelo mesmo processo. Mais do que uma formação, foi uma sessão de sensibilização e reflexão sobre a adoção, as nossas motivações, os desafios que as histórias das crianças podem representar e as capacidades e recursos que os pais devem ter para conseguir ser reparadores e ultrapassar essas dificuldades. Analisámos alguns casos concretos (bastante complexos, por sinal) e no final assistimos a um vídeo de um casal que já adotou e que falava sobre as dificuldades dos primeiros meses.
Se a sessão A, que toda a gente diz que é muito assustadora, não me assustou nada, já não posso dizer o mesmo desta sessão B. Levou-nos de facto a refletir sobre o perfil de criança(s) que teremos capacidade de adotar.
E agora, aguardamos um telefonema, que está prometido para breve, a agendar o último momento de avaliação. 

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Coisas que ajudam

Quem me vai lendo, sabe que a minha fé me tem ajudado muito ao longo desta caminhada. E a playlist que acompanha este post ajuda.



Esta música é só uma das que constam dessa playlist, mas é aquela que ando a cantarolar pela casa, enquanto espero.
Aconselho vivamente a quem estiver num período de espera (seja pela adoção ou por outra coisa) e acreditar.
So let it go my soul and trust in Him, the waves and wind still know His name.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

A adoção, nas palavras de alguém que foi adotado

Vale a pena ler este artigo . Passa uma imagem positiva, construtiva, realista da adoção, na perspetiva de quem mais interessa nesse processo.

Um pequeno excerto:
If you are a parent through adoption, listen to YOUR CHILD, because ultimately, with all the voices you will hear about adoption, theirs is the most important. Let your child be your guide.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Porque se deve organizar um «baby shower» a uma mãe adotiva?

Como já disse aqui, tenho encontrado nos blogues sobre adoção muita informação útil, mas sobretudo muitas vivências e experiências ricas e complexas.

O blogue Ripped Jeans and Bifocals é um daqueles de que me tornei fã. É uma experiência radicalmente diferente da minha: um casal de meia idade, com uma filha biológica crescida, que adotou internacionalmente duas crianças. Ah, isto tudo nos EUA, onde as coisas são bastante diferentes.
Mas apesar desse contexto tão diferente, fiquei «colada» no blogue, pela honestidade da autora, que nos conta o bom, o mau e o feio da sua experiência, mantendo uma pitada de humor. Foi aqui que li, pela primeira vez, sobre a depressão pós-adoção, por exemplo. Ou sobre a dificuldade em estabelecer uma relação de vinculação, contada na primeira pessoa e sem filtros. Recomendo vivamente.
E este post, além de vos recomendar este blogue no geral, tem como pretexto um post particular. Um post recente: este.

E além das aparências, este post fala da forma como a sociedade responde de formas diferenciadas à parentalidade adotiva e biológica. E de como isso pode magoar.

Aqui fica um excerto:
«Right after (and I mean right after) our first son came home from China, a woman in my community asked me to help organize meals for a new mom (This went over like a fart in church). There had been exactly zero meals brought to our door when we arrived home the week before (yes, the week before) with a freaked out two-year old.»
«It’s not about presents or cake (although I really love cake.) It’s about recognition of a milestone and celebrating families. (...)Think about this next time a friend announces she’s adopting: adoption is deliberate. The sheer amount of paperwork boggles the mind. If you’re teetering on the brink of crazy, this will drive you over. Adoption is usually a “shout from the rooftops” kind of big deal; treat it that way. Ask how things are going. Questions like “do you really know what you’re getting in to?” don’t count.
Don’t point out how lucky she is to keep her figure (besides, the tales I could tell about pre-adoption stress eating are epic). You might not know what road someone traveled to get to adoption. Maybe you’re saying “poo, you’re doing it the easy way” to someone who thinks doing the deed and incubating for nine months is an easier option.
Don’t assume a family who is adopting doesn’t want a celebration, even if the child isn’t a newborn. A child joining a family that will love them FOREVER is cause for some cake. Maybe even a balloon or two.»

Em tradução livre:

«Logo depois (mesmo logo depois) de o nosso primeiro filho ter chegado a casa, vindo da China, uma mulher da minha comunidade pediu-me que ajudasse a organizar refeições para uma recém-mãe (isto caiu como «um peido na missa»). Tinham-me sido trazidas exatamente zero refeições na semana anterior, quando nós chegámos a casa (sim, tínhamos chegado na semana anterior) com um bebé de dois anos assustadíssimo.
(...)
Não tem a ver com os presentes ou o bolo (embora eu realmente adore bolo). Tem a ver com o reconhecimento de um marco importante e a celebração das famílias. (...)
Pense nisso da próxima vez que uma amiga anunciar que vai adotar: a adoção é deliberada. A quantidade de papelada dá a volta à cabeça. Se estiverem no limite da loucura, isto vai fazer-vos passar para o outro lado. A adoção é uma coisa muitíssimo importante: trate-a dessa maneira. Pergunte como estão a ir as coisas. Perguntas como «Sabes mesmo no que te estás a meter?» não contam.
Não digam que essa amiga tem sorte por poder manter a sua linha (além disso, podia contar-vos histórias épocas sobre o stress pré-adoção e a comida). Pode não saber que caminho alguém percorreu para chegar até à adoção. Talvez esteja a dizer que está a escolher o caminho mais fácil a alguém que acha que ter sexo e ficar grávida durante 9 meses teria sido uma opção mais fácil.
Não parta do pressuposto que uma família que adota não quer uma celebração, mesmo que a criança não seja um recém-nascido. Uma criança a juntar-se a uma família que vai amá-la para sempre é motivo para comer bolo. Talvez até para um balão ou dois».

Vão lá espreitar ;)
http://rippedjeansandbifocals.com/

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Medos



Ando para aqui preocupada com a possibilidade de não sermos aprovados como candidatos a pais adotivos. Ia ficar feita num 8, agora que estou cada vez mais empenhada e entusiasmada com esta perspetiva.
Mas na verdade, eu sei lá...
Somos um casal com um casamento feliz e equilibrado. Acho que queremos adotar pelas razões certas e temos uma visão positiva da adoção. Estamos realistas face ao processo e esforçamo-nos por nos informar. Temos condições económicas e habitacionais boas.
Por outro lado, ninguém é perfeito. Eu não sou do tipo «mamã». Não sonhei ser mãe a minha vida toda - ainda agora tenho uma perspetiva pouco cor de rosa sobre a parentalidade e pouca experiência e à-vontade natural com crianças. Isso não quer dizer que agora, depois de todo o longo processo que tem sido amadurecer estas ideias, não queira ser mãe. Ser mãe é uma escolha muito consciente para mim - não é uma inevitabilidade. Mas uma escolha séria, provavelmente a mais séria de todas, e perante a qual estou fortemente comprometida e implicada. Isso é mais racional do que emocional, sim. Emocionalmente tenho um medo do caraças! Mas é o que é, e não acho que seja pior do que o contrário, para dizer a verdade, e que conto com o apoio do meu marido, que é super afetivo e fofo e papázão e confio que juntos sejamos capazes desta aventura - senão, não me metia nela. O problema é que estamos a ser avaliados, e não escondi nada disto. Acho que devo ser verdadeira e transparente, ainda para mais num processo tão importante. E não sei como é que este processo todo passa para o lado de lá, nem até que ponto será um obstáculo a que nos aprovem.
E é complicado estar aqui à espera, sem saber se será um sim, ou um não outra vez. O percurso da infertilidade habituou-nos a muitos nãos, mas não lhes retirou o sabor amargo - pelo contrário. Este seria o não final, e seria muito duro. Custa até pensar nessa possibilidade.
Estou a apaixonar-me pela ideia de adotar, e tenho medo de não ser correspondida. É um medo «do caraças», garanto.