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quarta-feira, 3 de junho de 2015

Crónica de um negativo anunciado

Pois é, hoje era o dia do teste «oficial». O teste que tinha que ser comunicado ao hospital. E como já esperava, foi negativo.
Lá passei pela ladaínha já conhecida de telefonar para o hospital a dar esta notícia. Custa sempre, apesar de tudo. Em princípio, terei nova consulta inicial em julho, desta vez diferente das anteriores, porque vamos passar para Fertilização In Vitro. A lista de espera para FIV não é tão curta como para IIU. Diz-me a enfermeira (que é um doce de pessoa, coitada, não tem culpa nenhuma de ser a recetora de más notícias) que terei que esperar entre 4 e 6 meses. Eu sei que, para o serviço nacional de saúde, esperar 4 a 6 meses é excelente, mas neste momento parece-me muito tempo.
Ainda nem decidi se esse muito tempo é bom ou mau. Por um lado, dá uma margem para respirar, da qual sinto que preciso. Para «ir de férias», dedicar-me à casa nova, organizar a vida, antes de voltar aos tratamentos. Por outro, claro, é mais uma espera. Nada a que já não esteja habituada.

E pronto, é isto. Mais um ponto final. Mais umas reticências.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

domingo, 10 de maio de 2015

A espera

Imagem de: http://unveiledwife.com/what-is-love-series-love-is-patient/

Já o escrevi mais de uma vez e sinto-o com enorme intensidade - a infertilidade é um jogo de espera.
Primeiro, a espera que acontecia a cada mês, que o ciclo (não) se completasse e que esta fosse a nossa vez.
Mês, após mês, a resposta não chegava. Às vezes - e com a desordem hormonal causada por anos a tomar a pílula - até esse «Não» se fazia esperar. Havia um atraso, depois outro, e de cada vez a dúvida, a esperança, a possibilidade, e os testes sempre negativos, com uma única risca a gritar a solidão e o vazio que se começavam a fazer notar. Muitas vezes chorei sozinha na casa de banho, muitas vezes maldisse o funcionamento normal do meu corpo que me dizia novamente que nenhuma vida estava a caminho.
Depois, perceber que não adiantava apenas esperar, e que estava na hora de procurar ajuda. Esperar mais, esperar pelos exames. Esperar por consultas. Esperar entre consultas. Esperar por respostas. Esperar entre cada alteração da medicação para a tiróide para repetir análises. Análises invasivas e pouco invasivas, mas sempre pessoais porque se relacionavam com o mais íntimo que pode haver entre um casal. E também os resultados se fizeram esperar - tudo normal, muito bom aliás, e um diagnóstico por exclusão: Infertilidade inexplicada.
Para uma control freak como eu, habituada a prever, a organizar, a controlar, era o derradeiro desafio. A impotência, a inutilidade de qualquer esforço, a necessidade de aceitar que não tenho controlo sobre o meu corpo e o que ele, aparentemente sem motivo, se recusa a fazer.
Depois, o início dos tratamentos. Foi só nessa altura que nos demos permissão para deixar de tentar. Baixar os braços e aceitar que, naturalmente, não ia acontecer. E viver os meses, os períodos férteis e os «Nãos» com mais naturalidade. Deixar de chorar na casa de banho. Mas no interregno da espera, chegam os meses de tratamento e com eles a inevitável esperança e o regresso da ansiedade, e o regresso dos «Nãos», ainda mais intenso do que antes.

No entretanto, ao longo da espera, alguma coisa aconteceu.
Alguma coisa mudou em mim.

E entra aqui a fé.
Como crente que sou, todo este processo ganha outras tonalidades.
Se no início era o «Não» que se sobrepunha a tudo e que era enfrentado com o meu «Porquê», pouco a pouco fui deixando de lutar. Nunca consegui pedir a Deus um filho - peço sim que seja feita a Sua vontade. Porque admito que não sei, nem tenho que saber, o que é o melhor. Porque admito que a infertilidade e a espera já me enriqueceram, apesar da dor, ou precisamente devido a ela.
 - deram-me a certeza da força do amor que vivo com o meu marido, e que por todos os gestos e todas as palavras, ao longo de já mais de 3 anos, esteve comigo neste caminho da infertilidade. É uma certeza e uma confiança que 20 anos de facilidades nunca nos dariam. Não posso exprimir a gratidão e a profundidade deste sentimento.
 - deram-me uma nova proximidade com Deus. No meio da dificuldade, quando tudo o resto falhou, voltei-me para Ele. A resposta não mudou. Talvez nunca mude. Mas a forma de a sentir, o Amor e o apoio que recebo - porque já antes me eram dados mas não os queria receber - mudam tudo.
 - deram-me (ainda estão a dar) a oportunidade de aprender a confiar e a abandonar-me. A não tentar planear tudo, a ter a humildade de admitir que os meus planos de pouco valem. E de que os meus planos podem não ser o melhor.
 - deram-me maior sensibilidade em relação aos sofrimentos dos outros, maior compaixão, um coração mais generoso.
 - deram-me a certeza de que se algum dia for mãe, seja biológica ou não, serei uma mãe infinitamente melhor do que se não tivesse tido esta espera.
 - deram-me uma nova perspetiva sobre as prioridades e o que realmente conta.

O amor é paciente.
O amor espera.

E se a espera for sempre culminada com um «Não», quero saber que pelo caminho tive tantos outros «Sins», que soube aceitá-los e agradecer cada um deles.

E aqui fica um texto muito interessante sobre a espera, para quem gostar de ler inglês. E outro,que me tocou imenso e explica tão bem o que sinto a este respeito.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Cá vamos nós outra vez

Desta vez o período de espera foi mais curto. Já estou novamente a fazer medicação para iniciar uma nova tentativa. Será, em princípio, a última IIU. Se não funcionar devemos passar para FIV.
Já se sabe que o jogo de expectativas neste processo é o mais difícil - não tenho muita esperança que funcione, e é melhor não alimentar mesmo muitas esperanças, para evitar desilusões maiores que as inevitáveis. Por outro lado, há sempre alguma esperança, senão ninguém se submetia a isto!

A boa notícia é que a espera foi breve, e estamos (mais uma vez) a fazer o que podemos - um tratamento. O resultado? Só Deus sabe se algum dia será diferente do que foi ao longo destes já mais de 3 anos de infertilidade.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

E ontem...

Foi dia de Páscoa e de aniversário.

Pois é, já conto 34 anos.

Para quem lida com a infertilidade, fazer anos não é fácil. É sinal de um relógio a avançar, quando a idade conspira contra nós. Mas é preciso aceitar e prosseguir.

E, pelo meio, surgiram novos projetos. Estamos em processo de compra de casa, com contrato de promessa de compra e venda já assinado. Se tudo correr bem, em breve teremos um jardim e uma vista maravilhosa com que nos deleitar. E sim, obras, mudanças, um empréstimo no banco e outras chatices, mas o objetivo final é empolgante!

Beijos e Boa Páscoa a todas. Obrigada pelas palavras de apoio.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

por aqui

Estou a entrar na fase mais difícil deste processo.
O pior não são os medicamentos e os seus efeitos secundários.
O pior não são as idas ao hospital e os exames e tratamentos em si.
O pior, aquilo que realmente doi... é a espera. Quem não tenha passado por aqui dificilmente consegue compreender o que custam a passar estas 3 semanas. 3 semanas em cima de 3 anos de espera, e sem saber o resultado, é uma verdadeira agonia.

Wish me luck...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

E lá começamos de novo

Não sei bem se estou preparada, mas cá vamos nós. Hoje recomeço a medicação para iniciar um novo ciclo de inseminação intrauterina. Não sei se estou preparada para o mal-estar. Não sei se estou preparada para os exames todos. Não sei sobretudo se estou preparada para voltar a enfrentar este jogo de esperança.

Mas o certo é que aqui vamos nós, rumo a novo tratamento.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Balanço de 2014



Há um ano, disse isto.

2014 continuou a ser o ano da infertilidade. Mas, apesar de tudo, foi o ano em que demos passos para começar a fazer alguma coisa contra ela. Foi o ano da 1.ª IIU e do início do acompanhamento no público. 
2014 foi também o ano do regresso a casa e é essa a grande marca. O reencontro com os amigos, a maior proximidade com a família, a possibilidade de aproveitar este maravilhoso Norte de que tanto gostamos, de passear bastante, de ir a Viana e a Ponte de Lima e a Esposende e a Guimarães e passear muito aqui em Braga. De percorrer feirinhas de antiguidades e adorá-las. De passar menos fins de semana fora, porque em casa é que se está bem!
Foi um ano mau em termos familiares, com a morte de uma das minhas tias, a estreia na organização de um funeral (experiência que dispensava), os sustos com a saúde do meu Pai, a outra tia hospitalizada e no meio de tudo isso, a minha mãe muito fragilizada.
Foi o ano em que o marido perdeu o emprego, mas, apesar disso, foi um bom ano em termos financeiros. Ultrapassei os objetivos de poupança, apesar de ter tido muitos gastos e alguns luxos.
Foi o ano em que sedimentei a minha reaproximação à minha , que tem sido uma grande força perante todas as dificuldades.

Vamos agora rever os objetivos de 2014:

Pessoal
Objetivo para 2014 será mesmo conseguir engravidar. Como esse objetivo não se tem revelado muito controlável, fico pelo que está no meu poder - cuidar de mim, continuar a tentar e não desesperar. - Parcialmente conseguido. Não conseguimos engravidar, e não cuidei muito bem de mim. Mas não desesperámos, continuámos unidos e começámos os tratamentos.
Gostaria muito de conseguir tirar uns dias (uma semana, para sonhar mais alto) de férias, mesmo férias. CONSEGUIDO!

Amigos
Fazer um jantar em casa pelo menos 1x/mês
Retomar contacto com os amigos de Braga
Manter o contacto com os amigos de Lisboa - fazer um telefonema ou e-mail uma x/semana Globalmente conseguidos.

Trabalho
Adaptar-me ao meu novo local de trabalho Conseguido
Publicar, publicar, publicar Parcialmente conseguido
Não me deixar atrasar nas tarefas A melhorar!!

Financeira
Depois de regressar a Braga - conseguir por de lado uma quantia determinada por mês Conseguido
Repor o nível das poupanças Ultrapassado!
Voltar a planear menus semanais e listas de compras e aproveitar bem as promoções A melhorar
Fazer uma semana sem despesas por mês. A melhorar.

Casa
Seguir o meu plano de limpeza e não deixar o caos tomar conta da casa A melhorar
Destralhar e organizar a casa A melhorar
Pintar a sala e os quartos no verão; Trocar a porta de entrada Transpor para 2015. 
No entanto - refizemos a marquise, que era mais urgente.

Lazer
Voltar ao crochet e à costura. Ler 10 livros. Passar para 2015
Passar dois fins de semana românticos. Não passámos muitos fins de semana fora, mas passámos imensos fins de semana juntos e românticos, perto de casa.

Saúde
Ter mais cuidado com a alimentação (comer mais legumes, frutas, sopas, e sobretudo cozinhar quase sempre em casa) - Parcialmente conseguido - Tenho cozinhado quase sempre em casa, mas tenho me desleixado muito em termos de alimentação. Ganhei peso. Nos últimos dias recomecei a dieta, com objetivos concretos e está a avançar.
Seguir uma rotina de exercício simples (incluindo passeios a pé, quando o tempo o permitir) A melhorar. O Fit2B tem que voltar ao ativo.

Compras
Porta de entrada - Passar para 2015
Máquina de lavar e secar nova e com maior capacidade; Arca congeladora; Televisão Conseguidas
e ainda: máquina de secar roupa.

São mais os verdes do que os vermelhos. A área da saúde e da casa precisam de continuar a melhorar. Mas já lá vamos, nos objetivos para 2015.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Ainda não foi desta

Infelizmente, ainda não foi desta o nosso final feliz.
No início do próximo ano voltaremos a tentar.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O tempo foi passando

E as coisas acalmam. Estou agora em processo de espera.
Fiz uma Inseminação Intra Uterina este mês e agora o que posso fazer é esperar.

Um beijo, desta, que ainda anda por aqui :)

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Coisas boas e coisas más e expectativas à mistura

A coisa boa primeiro - o meu Pai está melhor, e em princípio não será nada de grave. Uffff. Que grande peso que me sai de cima.

A coisa má - a tiroide voltou à estaca zero sem medicação. Retomei as «drogas», mas agora numa dose mais baixa. E vamos a ver o resultado.

A expectativa - estava previsto fazer a primeira inseminação intra-uterina no próximo mês. Mas por vicissitudes de calendário do SNS fica para Outubro. Custou. Custou sobretudo porque me tinha sido apresentado como facto e não como hipótese. E estando a contar com um facto, foi difícil digerir mais uma espera, mais 3 meses, mais um balde de água fria. Mas em fim. Há que ver o copo meio cheio, e a parte boa é que assim consigo saber como anda a tiróide, e com alguma (muita) sorte, normalizá-la antes do tratamento.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Hoje

tive consulta de infertilidade no hospital público. Finalmente, temos uma perspetiva de tratamento próxima. No fim do próximo mês começo com a medicação, para em julho fazer a priemeira inseminação intrauterina.

Estou que nem sei bem o que sentir.
Estou feliz, claro, com a perspetiva. Estou com esperança. Estou com medo dessa esperança. Estou a sentir que isto tudo torna a infertilidade e o facto de não se resolver sozinha ainda mais real. Estou uma confusão... a passar das lágrimas ao sorriso parvo em segundos, e vice versa.
Agora há uma data pela qual esperar.