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terça-feira, 19 de setembro de 2017

devagar, devagarinho, basicamente parados

Então, a ansiedade levou-me a melhor e decidi passar na Segurança Social. Na verdade, encontrei-me lá quase sem decidir - estava por perto, era sexta-feira (o dia disponível para esse fim), e entrei.
E fiquei a saber que a formação C não vai ser este ano. Isso não tem grandes (ou nenhumas) repercussões, mas enquanto damos esses passos sempre vamos sentido que estamos a avançar. Esse passo não será para já. Até aqui, tudo bem.
Depois, fiquei a saber que a maioria dos processos que estão a ser apreciados agora aqui no distrito são de 2012. 2012! 5 anos. E sim, naturalmente há variações, desde logo consoante as características dos candidatos, do perfil que pretendem, das crianças que reúnem condições de ser adotadas a cada momento, etc. Mas uma média de 5 anos (naturalmente haverá casos mais rápidos e outros mais lentos) leva-me a enfrentar a possibilidade de vir a adotar lá para os 40. Mesmo estando abertos a receber irmãos, não há garantia de que venha a acontecer mais cedo. Com este horizonte temporal, fazer a formação C este ano, no próximo ou ainda mais tarde não fará mesmo diferença nenhuma.
É mesmo muito tempo, mais ainda contando com os anos de espera que já trazemos na bagagem desde que começámos a tentar engravidar. Se tivesse dado entrada com o processo nessa altura (2012) estaria agora provavelmente a receber a chamada. Claro que na altura não estávamos prontos para dar esse passo - mas caramba, demora tanto tempo que teríamos tido tempo de nos preparar ou, pelo contrário, perceber que não era o passo certo, se fosse esse o caso.
O meu conselho - se é que o posso dar a quem não o solicitou - é que se ponderam adotar não ponderem muito. Não esperem pela certeza absoluta ou pelas condições ideais. Dêem início ao processo e ponderem tudo o que houver que ser ponderado durante a espera, que será longa. Têm que ter alguma noção do que querem e o mínimo de condições, para poderem fazer a avaliação com sucesso, mas não esperem pelos 100%.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Tenho andado calada

E a razão é mesmo falta de notícias. Estamos bem dentro do túnel. Silêncio total.

Tenho andado tão imersa no trabalho que nem consigo pensar em nada, mas hoje, antes de uma reunião, tive uma pausa. Passei por aqui, passei por alguns blogues com lutas parecidas. E fiquei com o coração apertado outra vez.

Ao fim de 5 anos, não dá para continuar a fazer a vida girar a volta da infertilidade. Nem sequer da adoção. A vida vai continuando. Mas de vez em quando, lá está ela, à nossa espera, para nos ensombrar o dia.

Acreditem que esta viagem não é nada suave.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Penúltimo passo

Já realizámos a sessão B - oficialmente, já só nos falta a visita a casa para concluir o processo de avaliação e aguardar o resultado. 
Esta sessão foi feita em grupo com outros casais que estão a passar pelo mesmo processo. Mais do que uma formação, foi uma sessão de sensibilização e reflexão sobre a adoção, as nossas motivações, os desafios que as histórias das crianças podem representar e as capacidades e recursos que os pais devem ter para conseguir ser reparadores e ultrapassar essas dificuldades. Analisámos alguns casos concretos (bastante complexos, por sinal) e no final assistimos a um vídeo de um casal que já adotou e que falava sobre as dificuldades dos primeiros meses.
Se a sessão A, que toda a gente diz que é muito assustadora, não me assustou nada, já não posso dizer o mesmo desta sessão B. Levou-nos de facto a refletir sobre o perfil de criança(s) que teremos capacidade de adotar.
E agora, aguardamos um telefonema, que está prometido para breve, a agendar o último momento de avaliação. 

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Porque se deve organizar um «baby shower» a uma mãe adotiva?

Como já disse aqui, tenho encontrado nos blogues sobre adoção muita informação útil, mas sobretudo muitas vivências e experiências ricas e complexas.

O blogue Ripped Jeans and Bifocals é um daqueles de que me tornei fã. É uma experiência radicalmente diferente da minha: um casal de meia idade, com uma filha biológica crescida, que adotou internacionalmente duas crianças. Ah, isto tudo nos EUA, onde as coisas são bastante diferentes.
Mas apesar desse contexto tão diferente, fiquei «colada» no blogue, pela honestidade da autora, que nos conta o bom, o mau e o feio da sua experiência, mantendo uma pitada de humor. Foi aqui que li, pela primeira vez, sobre a depressão pós-adoção, por exemplo. Ou sobre a dificuldade em estabelecer uma relação de vinculação, contada na primeira pessoa e sem filtros. Recomendo vivamente.
E este post, além de vos recomendar este blogue no geral, tem como pretexto um post particular. Um post recente: este.

E além das aparências, este post fala da forma como a sociedade responde de formas diferenciadas à parentalidade adotiva e biológica. E de como isso pode magoar.

Aqui fica um excerto:
«Right after (and I mean right after) our first son came home from China, a woman in my community asked me to help organize meals for a new mom (This went over like a fart in church). There had been exactly zero meals brought to our door when we arrived home the week before (yes, the week before) with a freaked out two-year old.»
«It’s not about presents or cake (although I really love cake.) It’s about recognition of a milestone and celebrating families. (...)Think about this next time a friend announces she’s adopting: adoption is deliberate. The sheer amount of paperwork boggles the mind. If you’re teetering on the brink of crazy, this will drive you over. Adoption is usually a “shout from the rooftops” kind of big deal; treat it that way. Ask how things are going. Questions like “do you really know what you’re getting in to?” don’t count.
Don’t point out how lucky she is to keep her figure (besides, the tales I could tell about pre-adoption stress eating are epic). You might not know what road someone traveled to get to adoption. Maybe you’re saying “poo, you’re doing it the easy way” to someone who thinks doing the deed and incubating for nine months is an easier option.
Don’t assume a family who is adopting doesn’t want a celebration, even if the child isn’t a newborn. A child joining a family that will love them FOREVER is cause for some cake. Maybe even a balloon or two.»

Em tradução livre:

«Logo depois (mesmo logo depois) de o nosso primeiro filho ter chegado a casa, vindo da China, uma mulher da minha comunidade pediu-me que ajudasse a organizar refeições para uma recém-mãe (isto caiu como «um peido na missa»). Tinham-me sido trazidas exatamente zero refeições na semana anterior, quando nós chegámos a casa (sim, tínhamos chegado na semana anterior) com um bebé de dois anos assustadíssimo.
(...)
Não tem a ver com os presentes ou o bolo (embora eu realmente adore bolo). Tem a ver com o reconhecimento de um marco importante e a celebração das famílias. (...)
Pense nisso da próxima vez que uma amiga anunciar que vai adotar: a adoção é deliberada. A quantidade de papelada dá a volta à cabeça. Se estiverem no limite da loucura, isto vai fazer-vos passar para o outro lado. A adoção é uma coisa muitíssimo importante: trate-a dessa maneira. Pergunte como estão a ir as coisas. Perguntas como «Sabes mesmo no que te estás a meter?» não contam.
Não digam que essa amiga tem sorte por poder manter a sua linha (além disso, podia contar-vos histórias épocas sobre o stress pré-adoção e a comida). Pode não saber que caminho alguém percorreu para chegar até à adoção. Talvez esteja a dizer que está a escolher o caminho mais fácil a alguém que acha que ter sexo e ficar grávida durante 9 meses teria sido uma opção mais fácil.
Não parta do pressuposto que uma família que adota não quer uma celebração, mesmo que a criança não seja um recém-nascido. Uma criança a juntar-se a uma família que vai amá-la para sempre é motivo para comer bolo. Talvez até para um balão ou dois».

Vão lá espreitar ;)
http://rippedjeansandbifocals.com/

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Medos



Ando para aqui preocupada com a possibilidade de não sermos aprovados como candidatos a pais adotivos. Ia ficar feita num 8, agora que estou cada vez mais empenhada e entusiasmada com esta perspetiva.
Mas na verdade, eu sei lá...
Somos um casal com um casamento feliz e equilibrado. Acho que queremos adotar pelas razões certas e temos uma visão positiva da adoção. Estamos realistas face ao processo e esforçamo-nos por nos informar. Temos condições económicas e habitacionais boas.
Por outro lado, ninguém é perfeito. Eu não sou do tipo «mamã». Não sonhei ser mãe a minha vida toda - ainda agora tenho uma perspetiva pouco cor de rosa sobre a parentalidade e pouca experiência e à-vontade natural com crianças. Isso não quer dizer que agora, depois de todo o longo processo que tem sido amadurecer estas ideias, não queira ser mãe. Ser mãe é uma escolha muito consciente para mim - não é uma inevitabilidade. Mas uma escolha séria, provavelmente a mais séria de todas, e perante a qual estou fortemente comprometida e implicada. Isso é mais racional do que emocional, sim. Emocionalmente tenho um medo do caraças! Mas é o que é, e não acho que seja pior do que o contrário, para dizer a verdade, e que conto com o apoio do meu marido, que é super afetivo e fofo e papázão e confio que juntos sejamos capazes desta aventura - senão, não me metia nela. O problema é que estamos a ser avaliados, e não escondi nada disto. Acho que devo ser verdadeira e transparente, ainda para mais num processo tão importante. E não sei como é que este processo todo passa para o lado de lá, nem até que ponto será um obstáculo a que nos aprovem.
E é complicado estar aqui à espera, sem saber se será um sim, ou um não outra vez. O percurso da infertilidade habituou-nos a muitos nãos, mas não lhes retirou o sabor amargo - pelo contrário. Este seria o não final, e seria muito duro. Custa até pensar nessa possibilidade.
Estou a apaixonar-me pela ideia de adotar, e tenho medo de não ser correspondida. É um medo «do caraças», garanto.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Atualizei o ticker



Então, e porquê?
Porque fiquei a saber, em conversa com outro casal candidato à adoção que o nosso tempo de espera oficial começa a partir do dia em que entregámos os papéis da candidatura. No nosso caso, 1 de julho de 2016.

Antes disso já tinha havido passos (a manifestação de interesse em adotar, em maio de 2016, a sessão A em junho de 2016), que ainda não contam para esse caminho «oficial», que eu pensava que só iria começar depois de sermos (se formos) habilitados, mas já conta para o nosso caminho emocional - aquele que eu pensava que estava a contar com o ticker.

Então, fiquei a saber que já estamos mesmo a caminho - um caminho que ainda pode ser interrompido, no caso de não nos aprovarem, mas que já é oficial, já «conta». E porquê? Porque seria injusto contar só a partir da habilitação, tendo em conta que há distritos onde o prazo definido por lei (6 meses) para a avaliação não é cumprido por sobrecarga dos técnicos. Ou seja, uma pessoa que entregou os papéis em janeiro, pode terminar a avaliação depois de outra que entregou os papéis em março, sem ter «culpa» desse atraso. Para não penalizar ninguém pelas lentidões do sistema, conta a partir do passo que efetivamente depende só de nós - a candidatura.
E de repente, a espera parece um pouco mais curta!
Oficialmente, quase 4 meses a caminho. Temos andado bem. E aliás, estou muito satisfeita com a Segurança Social de Braga: nesses quase 4 meses já temos 3 entrevistas feitas. YAY!

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Os ovos misteriosos

Eu sei que não devia, mas não resisti.
Acabo de encomendar o livro «Os ovos misteriosos»

É um livro infantil que conta a história de uma galinha que choca um conjunto de ovos misteriosos. Apesar de cada um, depois de chocar, dar origem a um animal diferente, ela ama e cuida de cada um deles.
Claro está, é um pretexto para falar sobre adoção.

Não devia, porque ainda nem sei se vamos ser aprovados.
Mas comprei, porque não resisti à campanha de 40% da wook. Shame on me.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

A caminhada e os outros



Esta caminhada da adoção é, em grande medida, um processo solitário, vivido muito cá dentro - dentro de cada um de nós e sobretudo dentro do casal.
Não quer dizer que não se comunique: com amigos, e até aqui, através deste blogue. Mas, tal como acontecia com a infertilidade, as pessoas realmente não fazem ideia do que isto é, a menos que tenham passado por lá. É um «mundo» e uma experiência difícil de partilhar, que estica as capacidades de empatia dos nossos amigos, colegas e conhecidos porque por mais que eles se importem connosco, não fazem realmente ideia do que estamos a passar. As pessoas com quem se consegue falar mais profundamente sobre a adoção são poucas e, no meu caso, acabam por ter alguma relação, mais direta ou mais indireta, com esse «mundo».

Resumindo: a comunicação sobre a adoção dentro do casal é muito intensa - fora do casal... depende.

E nesse contexto, os fóruns, blogues, sites e afins sobre adoção têm sido muito importantes para mim: dão uma noção mais concreta e real do que é adotar, na primeira pessoa, com todas as especificidades que um caso real tem. Dão cor e sentimento concreto e específico ao mundo mais genérico dos artigos e pesquisas científicas sobre o tema. Fazem sentido e falta.

No meu caso, tenho a sorte de conhecer outro casal que está a passar pelo mesmo. Um destes dias, fui ao aniversário dessa minha amiga, que me apresentou outro casal que também estava em processo de adoção. Uns e outros, já habilitados e com a formação terminada - ou seja, mais à frente do que nós nesta viagem. E é realmente diferente «ventilar» com quem sabe por dentro o que isto é. Cada processo é um processo, claro. Cada decisão é diferente, os contextos são diferentes, como tudo na vida. Mas há um denominador comum que ajuda a sentirmos que mais alguém «percebe», sem sentimentalismos, nem simplificações, o que isto é. E é útil partilhar experiências e ir percebendo o que nos espera no passo a seguir.

Boa caminhada a todos os que por aqui andam!

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Avaliação psicológica concluída

Então, lá tivemos a segunda e última sessão de avaliação psicológica. Nesta sessão, eu e o marido estivemos separados.
Enquanto um de nós preenchia uns questionários, o outro conversava com a psicóloga, e depois trocámos.
E então, do que se tratou, desta vez?
Os questionários eram de resposta aberta. Um deles apresentava 3 situações hipotéticas, com crianças de diferentes idades, que nos colocavam, enquanto pais, na necessidade de responder a desafios. Tínhamos que explicar como reagiríamos.
O outro era sobre a infertilidade e a forma como a tínhamos encarado no passado e como a encarávamos atualmente, a adoção, os desafios que ela traria em termos familiares e sociais.

A parte de conversa individual teve a ver com o casamento, a relação, como nos conhecemos, como resolvemos os problemas, etc. Por outro lado, com o que esperamos da parentalidade, como pensamos lidar com a revelação da adoção e com a eventual busca das origens.

E pronto - mais uma manhã passada. Resultados, ainda não conheço, mas acho que não correu mal.

Agora, não ficou nada marcado - ficamos à espera da cartinha que nos há de convocar para a sessão de formação B, que é em grupo, com outros casais, em princípio em Novembro.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Entrevista psicológica, parte I

E pronto, mas um passinho dado.
Fomos à primeira entrevista psicológica - falou-se essencialmente das nossas famílias, e alguma coisa sobre nós. É difícil ser juiz em causa própria, mas acho que não correu mal.
Daqui a 15 dias teremos a segunda parte desta entrevista, que vai ser individual (não em casal) - enquanto um fala com a psicóloga, o outro preenche uns questionários, e depois trocamos.

Depois disso, fica a faltar a sessão B de formação, e a visita a nossa casa.

Enfim, passo a passo, vamos andando.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

2.ª entrevista, a caminho

Pois é, o processo continua a avançar dentro dos prazos previstos. Antes do fim do mês, teremos a segunda consulta - a primeira entrevista psicológica, com o casal. Depois dou notícias!

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

E a 1.ª entrevista?

Acho que correu bem. Demorámos a manhã inteira.
Falámos da nossa história de vida, da nossa relação, da infertilidade, das nossas expectativas e medos quanto à adoção, de como chegámos até esta decisão...
Preenchemos uma grelha sobre as características da criança que estaríamos disponíveis para adotar (já a conhecíamos, de uma dissertação que li e já tínhamos refletido sobre ela em conjunto, por isso foi relativamente fácil).
Admitimos, honestamente, fragilidades e forças.

No final, dissemos quando voltamos de férias/congresso, para se poder passar ao ponto seguinte - a marcação da entrevista psicológica.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Quase

Falta uma semana para a primeira entrevista. Estou ansiosa por começar o processo. Sei que vai ser um processo lento e demorado, mas para já vai havendo etapas e sinto que estamos a progredir à medida que nos aproximamos de cada uma delas.
De resto, estou quase a chegar às minhas tão esperadas férias e quase a enlouquecer com o calor. Espero em breve ter coisas para contar.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Primeiros passos

E está dado mais um passo: entrevista social agendada.
Eu sei que é o início dos inícios, mas é alguma coisa!

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Ainda a espera


Para quem me «conhece» há mais tempo, não é segredo que temos uma história de infertilidade. Infertilidade inexplicada, para ser concreta - ou seja, muitas perguntas e nenhuma resposta. Esse caminho começou em fevereiro de 2012, quando decidimos começar a tentar engravidar e prolonga-se até hoje.
Quem passou por aqui sabe o que isso implica, o sofrimento físico e psicológico que causa e o tema subjacente e omnipresente da espera. A espera tornou-se o tom dos dias, mesmo quando muitas vezes nos esquecemos dela ou a enviamos para segundo ou terceiro plano e avançamos com a vida. Já há alguns anos que é assim: a espera reaparece em grande força durante um tratamento, entre consultas. Nos outros dias, esconde-se. Passados 4 anos e meio já não estamos à espera de milagre nenhum a cada mês - no início, a espera era constante. Depois houve as esperas pelos inúmeros exames e não só já fizemos todos os exames possíveis e imaginários (alguns dos quais verdadeiras torturas), sempre para ouvir que está tudo bem, como também já desesperámos em grande medida de algum dia saber a resposta. O jogo de esperança de que já falei aqui várias vezes pende agora claramente para a desesperança: muito provavelmente, nada vai acontecer naturalmente; a minha vontade de fazer tratamentos e a confiança neles anda pelas ruas da amargura. Todo o processo perde sentido e apetece-me realmente desistir e dizer que se tiver que ser, será, se não tiver que ser não será, e encerrar o capítulo que já é demasiado longo.
E eis que finalmente nos sentimos capazes de começar um novo capítulo, um «novo» projeto, que agora absorve os meus pensamentos e mantém a cor da espera: a adoção. Começo a achar que os anos de infertilidade foram o melhor treino possível para esta viagem: estamos habituados a esperar. Sabemos no que nos estamos a meter! E sei que esta é a fase mais «fácil» em que vai havendo novidades: o processo que avança, as reuniões, as formações. E sei que depois virá o longo silêncio e que a esperança e a espera vão voltar a colorir os nossos dias. Mas desta vez, acredito que haverá crianças à nossa espera. E é complicado pensar no que elas poderão estar a passar neste momento, sem nós, com pais negligentes ou maltratantes ou em instituições. E como crente que sou, vou rezando por elas, sejam quem forem, onde quer que estejam, para que Deus as proteja enquanto eu não as posso proteger, e para que não deixe que a vida as magoe demasiado até chegarem aos nossos braços.

terça-feira, 5 de julho de 2016

As causas dos números

Como comecei a avançar há uns posts atrás, os números que temos analisado explicam-se pelo facto de grande parte das crianças que são retiradas à família não terem definido um projeto de vida de adotabilidade.


Recomendo a notícia do Público, publicada aqui e que coloca um número concreto nessa afirmação: apenas 10% das crianças institucionalizadas têm esse projeto.
E quanto a mim, esse é o maior problema do sistema. A definição de um projeto de vida devia ser mais rápida. Cada ano que uma criança passa numa instituição à espera que haja uma definição do seu futuro é uma perda irreparável.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

O passo



Está dado!
Documentação entregue. Agora a nossa candidatura é oficial.
Pedi para falar com um elemento da equipa de adoção e fiquei a saber que o passo que se segue é a entrevista social, que provavelmente ainda será em Agosto.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Os números da adoção - uma reflexão muito particular


A análise dos números da adoção em Portugal acaba logo com alguns dos mitos sobre adoção. O primeiro: o de que há imensas crianças em instituições, à espera de serem adotadas. Não há. Na verdade há imensas crianças em instituições, à espera que o seu projeto de vida seja definido de vez. E isso dará azo a outro post.

O segundo - a ideia idílica do bebé recém-nascido que é entregue para adoção, que na verdade é praticamente um mito. E isto relaciona-se com a ideia acima. Porque até se chegar à decisão de determinar a adotabilidade daquelas crianças se espera, muitas vezes, anos, a maior parte das crianças adotáveis já são «demasiado velhas», pelos critérios da maior parte das pessoas que pretendem adotar.

E sim, também nós pertencemos ao extenso clube das pessoas que gostariam de adotar um bebé saudável (como qualquer casal gostaria, à partida de serem pais de um bebé saudável). Não temos critérios de raça nem de sexo. Mas ao olhar para os números, percebemos rapidamente que teremos pela frente uma espera interminável e que se e quando chegar a nossa vez, podemos ser demasiado velhos para sermos pais de um bebé. (By the way, fiquei surpreendida pelas idades da maior parte dos candidatos que foram connosco à formação. Nós éramos aparentemente dos mais novos, e mesmo assim já me estou a preocupar com esta questão!) Ainda estamos a definir entre nós a idade com que nos sentimos confortáveis, mas ambos preferíamos crianças pequeninas - porque ainda há tanto que se pode fazer em termos de intervenção precoce, porque estarão à partida menos marcadas pelo passado difícil que viveram (se assim não fosse não estariam em situação de adotabilidade) e por lealdades à família de origem que dificultam a vinculação, porque nunca fomos pais e gostaríamos de acompanhar esse processo desde o mais cedo possível.
Podem argumentar que as crianças mais velhas também precisam, ou precisam mais ainda, de pais e mães. Eu sei que sim. Mas este é um desafio descomunal. A parentalidade é sempre um grande desafio, e propormo-nos a um desafio que tem tudo para ser ainda maior é difícil e requer uma avaliação muito cuidadosa de quem somos, de quem poderemos ser como pais, e da nossa capacidade para lidar com essas adversidades. Não é algo que se deva fazer apenas na base da boa vontade. E com toda a honestidade, neste momento (ainda temos muito que refletir), não sei se somos as pessoas indicadas para dizer que sim a esse desafio.

Por outro lado, pertencemos ao clube não tão extenso das pessoas que gostariam de adotar irmãos. Bem sei que poderá ser difícil aparecerem dois irmãos pequeninos, mas é um critério preenchido por menos pessoas, até porque os critérios económicos também o dificultam. Isso dá-me alguma esperança de que haja um par de irmãos por aí, à nossa espera e que não demorem eternamente a chegar até nós.

Pessoas que adotaram/ estão a tentar adotar: como lidaram com os números? Como se posicionam face a eles?

sábado, 25 de junho de 2016

Adoção - números de 2015 (Cont.).


1. O número de candidatos em espera é cerca de 5x superior ao número de crianças em situação de adotabilidade;
2. Até aos 6 anos, o nº de pretensões é cerca de 28x superior ao nº de crianças disponíveis;
3. Mesmo acima dos 7 anos, o nº de candidaturas é mais do dobro do nº de crianças disponíveis.

4. Só cerca de 20% dos candidatos aceita adotar irmãos.
5. As 208 crianças integradas em fratrias de adoção conjunta constituem 4 fratrias de 3 elementos e 98 fratrias de 2 elementos.

6. O número de crianças com problemas graves e/ou deficiências corresponde a mais de 14x o número de candidatos que as aceitam.
(fonte: dados fornecidos na formação A)

(Estes dados são do Brasil, mas a reflexão que promovem é semelhante)

No próximo post vou deixar-vos as minhas reflexões sobre estes dados.

Adoção - Números de 2015



Quadro comparativo das características das crianças disponíveis para adoção e das pretensões dos candidatos em lista de espera - dezembro 2015 (dados nacionais) (Fonte - dados fornecidos na sessão A)


Total de Crianças em Situação de adotabilidade
Total de candidatos em lista de espera

383
1884
Características
Crianças
Pretensões
Idade
(anos)
0 a 1
40
1615
2 a 3
42
1793
4 a 6
88
1422
7 a 9
85
343
10 a 12
100
67
13 a 15
26
22
Mais de 15
2
5


Grupos de irmãos
208
406


Situação de Saúde
Sem problemas
215
1389
Ligeiros
77
650
Graves
91
7
Deficiência
64
4